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quinta-feira, 4 de março de 2010
JOHNNY ALF: Rapaz de bem
(CB, de Londres)
Acabei de receber um email do nosso amigo MARCO ANTONIO RUSSI, informando que JOHNNY ALF faleceu hoje, depois de longo padecimento, vítima de câncer. Descanse em paz, GENIALF.
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I´ve just received an email from a friend, to inform that, unfortunatelly, the great Brazilian singer, pianist and composer JOHNNY ALF passed away a few hours ago. R.I.P Mr. JOHNNY ALF...
PERSONNEL:
Johnny Alf - piano, voice
Adriano Giffoni - Bass
Ricardo Pontes - alto sax
Jessé Sadoc - trumpet
Marcio Bahia - drums
Durval Ferreira - Guitar
JOHNNY ALF (with OS TRÊS MORAIS): Ele é Johnny Alf (1971)

JOHNNY ALF
Não vou me estender aqui na biografia de Johnny que, certamente, vai estar disponível em outros blogs e na mídia, como sempre acontece: reconhecimento tardio, "post mortem". Mas vou narrar alguns fatos aos quais estive presente e dos quais participei.
Em 1971 Johnny Alf estava passando uma temporada no Rio de Janeiro, hospedado na casa do nosso querido amigo, o pianista LEONARDO LUZ, atualmente radicado em Barcelona. Um amigo havia me trazido dos USA um "songbook" com todos os arranjos originais dos "Carpenters", que estavam estourando na mídia. Fui até o apartamento do Leonardo, como fazia quase todos os dias, e levei o álbum para mostrar a eles. Naquela época os álbuns custavam uma fortuna no Brasil: além de ser difícil comprá-los, importar material de música era uma coisa complicada. Leonardo me pediu que deixasse o álbum com ele, para fazer cópias "xerox". Deixei e me arrependi, porque JOHNNY ALF voltou pra São Paulo repentinamente, a convite do empresário Helcio Funaro, dono da "Baiúca" e LEVOU COM ELE o "song book", para meu desespero. Aproximadamente um ano depois eu fui a Sampa e, claro, à "Baiúca" ver o Johnny tocar. De brincadeira, cobrei dele o "roubo", e exigi a devolução. Sacanamente, ele rebateu de primeira: "Eu? Álbum dos Carpenters"? Quem são eles? Nunca ouvi falar..." E completou a molecagem, atacando no piano e cantando "CLOSE TO YOU". Quanto ao songbook dos Carpenters, nunca mais vi...(Tomara que Johnny o tenha levado com ele para o Paraíso.)
Nesse período que Johnny passou na casa do Leonardo a gente conversava muito e ele nos ensinava as harmonias originais de suas composições, que tocávamos juntos. Johnny sempre incentivou novos talentos, lançou e apoiou muitos músicos, hoje bastante conhecidos.
Em público, tive a honra de integrar - como contrabaixista - um quarteto, acompanhando Johnny Alf no MUSICANOSSA, no Teatro Santa Rosa. Um dos temas que tocamos foi "SAMBA DO RETORNO", inédito, que ele compôs especiamente para aquela apresentação, depois de longo tempo sem se apresentar no Rio de Janeiro. A música foi gravada por ele num LP da Codil intitulado "MUSICANOSSA".
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Vários livros já narraram o encontro de Sarah Vaughan com Johnny Alf e a recusa dele em ir para os USA, a convite dela. Na verdade fomos eu e meu falecido parceiro ANTONIO CARLOS WERNECK (por quem Sarah era apaixonada e com quem manteve um romance fugaz) os responsáveis pelo primeiro e único encontro de Johnny Alf com Sarah Vaughan em Petrópolis, na casa do empresário José Carneiro Dias. Pena que não tenhamos gravado ou filmado aquele encontro de gigantes. Mas querem saber? Encontros semelhantes àquele (por exemplo: João Donato e Mauricio Einhorn com a mesma Sarah Vaughan) eram coisa corriqueira para nós, na época. Éramos tão desligados e "blasés" que nem mesmo suspeitávamos estar diante de encontros históricos.
(**)Um dia desses ainda vou contar em detalhes o "causo" do DONATO & SARAH VAUGHAN, ajudando o Antonio Carlos Werneck numa entrega de BISCOITOS da fábrica do Werneck - na Avenida Brasil, em Irajá, no Rio de Janeiro, sob um calor de 50 graus, em pleno mês de janeiro...(Imaginem o nó que daria na cabeça de um fan de Donato & Sarah que por ali passasse e identificasse seus ídolos, suando em bicas e descarregando caixas de biscoito de uma "kombi"...)
Infelizmente JOHNNY ALF morreu pobre e teve que recorrer à caridade pública para tratamento do câncer que o acometeu - e o matou. (Li uma declaração do agente de Johnny Alf que me deixou estarrecido: ele recebia cerca de R$ 1.650,00 por mês de direitos autorais, o que - convenhamos - é uma miséria. Principalmente diante da grandeza de sua obra.) O governador José Serra, admirador de J.A., ao saber das dificuldades, determinou que ele tivesse atendimento especial, para que nada lhe faltasse no Hospital Mário Covas, onde foi internado. Ainda bem, pois deve ter atenuado o sofrimento de Johnny em seus últimos dias.
O extraordinário acervo com suas obras foi gravado por ele e diversos artistas ao longo de mais de 50 anos e permanece, para que não nos esqueçamos dele e - principalmente - para que gerações futuras possam saber que foi Johnny Alf, este gigante, um dos maiores da música brasileira de todos os tempos.
Descanse em paz, GENIALF...
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JOHNNY ALF
* 5/19/1929 + 2/04/2010
Regarded as one of the creators of bossa nova, Alf started studying the piano at an early age, and later became interested in George Gershwin and Cole Porter’s music. In his teens, Alf founded his own band and performed at weekends. Alf also founded the Sinatra-Farney Fan Club. Invited to join an artistic group at the Brazil-United State Institute, he took the advice given by its members and adopted the artistic name Johnny Alf just before performing at Rádio MEC. In 1952, Alf debuted as a professional pianist at nightclubs, and his songs were recorded for the first time by the singer Mary Gonçalves. Playing the nightclubs of Copacabana, he became known in the Brazilian Music scene and was praised by other renowned artists, such as Dolores Duran, João Gilberto and João Donato. Alf frequently performed at Beco das Garrafas and Plaza, where the first bossa nova generation used to hang out. His song "Rapaz de Bem" is regarded as the first bossa nova tune. Alf’s very peculiar ways of singing and playing the piano have influenced several Brazilian singers and pianists. "Eu e a Brisa", "Ilusão À Toa", "O que É Amar", "Céu e Mar". Are some of his greatest hits. From Alf’s few albums, some of the most important are "Ele É Johnny Alf", from 1971, and his 11th CD, "Eu e a Bossa", released in 1998.
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MINHA OPINIÃO: o destaque neste álbum é a presença dos TRÊS MORAIS nas faixas "Despedida de Mangueira", "Garota da minha cidade" e "Anabela". O solo de violão na faixa "Anabela" é do grande HERALDO DO MONTE. Como sempre, com a sua humildade e generosidade, GENIALF incluiu canções de outros compositores que admirava.
(*)Jane Morais me informa que, na faixa "Despedida de Mangueira", seu marido Herondy Bueno se integra aos 3M, formando um quarteto. E na faixa "Garota da Minha Cidade" é a vez da vocalista Rosaly se juntar a eles, formando outro quarteto. Os arranjos vocais, como sempre, são do Sidney Morais.
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JOHNNY ALF: Ele é Johnny Alf (1971)
GUEST ARTISTS:
Os Três Moraes - vocal group on tracks 3, 4 and 11
Heraldo do Monte - accoustic guitar solo on track 11
TRACKS/FAIXAS:
01 - Leme (Armando Cavalcanti/Roberto Nascimento/Victor Freire)
02 - Ilusão à-toa (Johnny Alf)
03 - Despedida de Mangueira (Aldo Cabral/Benedito Lacerda)
04 - Garota da minha cidade (Johnny Alf)
05 - Pensando em você (Johnny Alf)
06 - Canto pra Pai Corvo (Johnny Alf)
07 - Eu e o crepúsculo (Johnny Alf)
08 - Eh! Mundo bom taí (Johnny Alf)
09 - Decisão (Johnny Alf)
10 - Ama-me (Ary Francisco/Johnny Alf)
11 - Anabela (Johnny Alf)
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